
Há muito tempo, a China vem adotando as megaconstruções. Alguns dos projetos mais importantes dos últimos anos tiveram a China como protagonista. Sua abordagem é diferente, já que as obras chinesas buscam ligar o território com pontes enormes ou túneis impossíveis. Dentro dessa ambição estão os canais, como o Pinglu, que buscam trazer o mar para as cidades do interior, sendo parte da estratégia da China para dominar o mercado mundial.
Espera-se que o canal seja concluído para que possa começar a movimentar mercadorias em dezembro de 2026 e que o custo do projeto seja de cerca de 9,3 bilhões de euros, equivalente a 59,4 bilhões de reais. Todos os números que envolvem o projeto são impressionantes
O Canal Pinglu é o primeiro grande canal construído na China desde a fundação da República Popular e será ambicioso tanto em sua extensão, com aproximadamente 134 km, quanto em seu papel na estratégia do país.
É esperado que o canal suporte embarcações com um peso bruto de até 5.000 toneladas. Seu sistema será baseado em duas eclusas de 300 metros de comprimento e 34 metros de largura que permitirão superar inclinações de até 65 metros. Além de superar as diferenças de nível, essas eclusas estão sendo construídas para operar rapidamente, abrindo e fechando em um curto espaço de tempo para acelerar as viagens.
Um trabalho enorme em tempo recorde
Dos 134 km de extensão, apenas 6,5 km são novos, mas no restante foi necessário adaptar os rios para acomodar os navios. Para isso, mais de 50 milhões de metros cúbicos de material foram movidos, e é esperado que a escavação total seja de mais de 339 milhões de metros cúbicos. Isso é mais de três vezes o volume da monumental Barragem das Três Gargantas, a maior usina hidrelétrica do mundo, também localizada na China.
Além da tecnologia com a qual as eclusas estão sendo equipadas, a obra está usando uma mistura de concreto projetada para resistir à erosão da água do mar por mais de 100 anos, minimizando a manutenção. E se a eclusa começar a operar em 2026, conforme planejado, serão apenas sete anos desde o início do trabalho de base e três anos desde o início da construção.
Apesar disso, há um lado negativo
Movimentar essa quantidade de terra em determinadas áreas próximas a rios tem um problema: é possível que o ecossistema de algumas espécies seja ameaçado. As preocupações ambientais giram em torno disso, pois as obras estão sendo realizadas nas proximidades de manguezais, que podem ser afetados pelas obras.
Comércio estratégico
A ideia é que esses navios cheguem das áreas do interior aos portos marítimos e, de lá, sigam para seu destino como parte do grande sonho de Xi Jinping: a Nova Rota da Seda.
Como o canal Pinglu está intimamente ligado a esse novo corredor comercial, conectar o interior ocidental e o sudoeste da China aos mercados internacionais é uma parte muito importante da estratégia do país para fortalecer e diversificar as rotas de exportação e importação do país para o resto da Ásia, África e, acima de tudo, Europa.
Além dessa melhor conexão comercial, a China espera que o Canal reduza os custos de transporte. Um navio é consideravelmente mais barato do que outros meios, como caminhões, trens e aviões, portanto, eles esperam economizar cerca de 725 milhões de dólares por ano. Também ajudará a diminuir o congestionamento de tráfego na região, um problema que o país enfrenta em suas áreas mais industrializadas.
Tudo isso faz parte da ambiciosa estratégia da China para impulsionar o comércio dentro e fora de sua região e, assim, aumentar sua importância no mercado e na política globais.
Matéria traduzida e adaptada por Allana Aristides
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